quarta-feira, 23 de maio de 2018

A devoção perdida ao Santíssimo Sacramento

Quebec (Canadá), 1942. Sacerdote leva a Sagrada Comunhão a um doente e toda a Família se ajoelha para receber Nosso Senhor em sua casa. 


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segunda-feira, 21 de maio de 2018

A Oitava de Pentecostes acabou e Paulo VI chorou

Eu contei esta história da 'Segunda-feira de Pentecostes' há uns anos e ela tem estado a circular. Circulou por todos os lados, mas sou eu a origem da história, que publiquei há uns anos atrás. Imensas pessoas apanharam-na. Merece uma repetição. Isto serve como uma lição pelo que acontece quando perdemos de vista a continuidade. 

Esta história foi-me contada há uns atrás...já décadas, agora...por um Ceremoniere (Mestre de Cerimónias) do Papa, já reformado que, segundo o próprio, esteve presente no acontecimento que vai ser agora contado.

No calendário Romano litúrgico tradicional [NT: antes da reforma feita pelo Papa Paulo VI] a enorme festa do Pentecostes tinha a sua própria Oitava. Liturgicamente falando, o Pentecostes era/é uma coisa muito importante, de facto. Tem um Communicantes e um Hanc igitur próprios, uma Oitava, uma Sequência, etc. Em alguns sítios do mundo, como a Alemanha e a Áustria, a Segunda-feira de Pentecostes, Whit Monday como lhe chamam os ingleses, era razão para ser um feriado civil, bem como observância religiosa [NT: dia de Missa obrigatória]. [NT: Em Portugal há uma grande tradição no Santuário de Nossa Senhora do Pranto, em Dornes, de fazer romarias e festejar o Pentecostes nestes dias.]

Novus Ordo [NT: a forma da Missa mais comum actualmente, que segue o Missal do Papa Paulo VI] entrou em vigor no Advento de 1969.

Em 1970, na Segunda-Feira depois de Pentecostes, Sua Santidade o Papa Paulo VI foi para a capela, para celebrar a Santa Missa. Em vez dos paramentos encarnados, para a Oitava que todos sabiam seguir-se ao Pentecostes, estavam lá preparados para ele paramentos verdes.

Paulo VI perguntou ao Ceremoniere designado para aquele dia, "Mas que é isto? É a Oitava de Pentecostes! Onde estão os paramentos encarnados?"

"Santità," respondeu o Ceremoniere, "agora é o Tempus per annum [NT: Tempo comum]. Agora é verde. A Oitava de Pentecostes foi abolida."

"Verde? Não pode ser!", disse o Papa, "Quem é que fez isso?"

"Santidade, fostes vós."

E Paulo VI chorou.

Fr. John Zuhlsdorf in Fr. Z's Blog


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As pétalas no dia de Pentecostes em Roma

A Missa de Pentecostes no Panteão - Basílica de Santa Maria dos Mártires - é marcada por uma chuva de pétalas que simboliza as línguas de fogo derramadas sobre Nossa Senhora e os Apóstolos reunidos no Cenáculo no dia de Pentecostes. Deixamos aqui o vídeo deste ano 2018.




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domingo, 20 de maio de 2018

Oração ao Espírito Santo escrita pelo Cardeal Newman

Querido Senhor,
Ajudai-me a espalhar a Vossa fragância onde quer que eu vá.
Inundai a minha alma com o Vosso Espírito e com a Vossa vida.
Penetrai e possuí todo o meu ser, tão completamente, que toda a minha alma seja uma irradiação de Vós.

Brilhai através do meu ser e mostrai-Vos de tal forma em mim, que cada alma que eu encontre possa sentir a Vossa presença.
Que elas ergam o olhar e não me vejam, mas apenas a Vós Senhor.
Ficai comigo para que eu começe a brilhar como Vós e brilhe de tal forma que seja a luz dos outros.

A luz, ó Senhor, virá toda de Vós, nenhuma será minha, sereis Vós a brilhar diante dos outros através de mim.
Permiti pois que Vos louve da forma que Vós mais amais, brilhando sobre aqueles que Vos rodeiam.
Deixai que Vos pregue sem pregar, não por palavras mas pelo meu exemplo, pela força do entendimento, pela influência simpática daquilo que faço, como prova do amor que o meu coração sente por Vós. Ámen

Beato Henry Newman


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O fogo do Pentecostes deve ser espalhado

Há uma admirável harmonia na obra da salvação do mundo.

O povo hebreu teve o seu tempo Pascal, em memória da sua libertação da opressão egípcia, pelo sangue do cordeiro, figura profética da Páscoa cristã que é a libertação da opressão do mundo sob o jugo de Satanás, pelo sangue do verdadeiro Cordeiro, Nosso Senhor Jesus Cristo. Cinquenta dias depois de os hebreus deixarem o Egipto, eles receberam no Monte Sinai a Lei que os governaria e faria deles, no meio dos gentios, o povo de Deus. Foi também a primeira figura profética de Pentecostes do segundo, o pentecostes cristão. 

Mas o Pentecostes Cristão não chama a atenção para o trovão e o relâmpago do Sinai. Ela só lembra que, 50 dias depois da Ressurreição de Nosso Salvador, o Espírito Santo desceu, sob a forma de línguas de fogo, sobre os Apóstolos unidos no Cenáculo. Esta não é mais a promulgação aterradora da Lei que acorrentou o povo hebreu em sua observância pelo medo de castigos; antes, é o dom da luz e da força que deve difundir a caridade de Deus em todo o mundo e, por essa caridade, a prática da lei evangélica.

Com o Espírito Santo, é uma Caridade substancial que toma posse do mundo para trazê-lo de volta a Deus. E uma vez desceu sobre a terra, esta Caridade não a deixará novamente. Ela permeará todos os povos, insinuará a si mesma em todas as almas, conquistador divino e, pouco a pouco, sob seu suave e forte impulso, descobriu-se que o mundo era católico. Obra de Caridade, esta maravilhosa transformação que lançou aos pés de Jesus tantos Povos e os ensinou a dizer a Deus: Pai Nosso! Grito de amor filial, choro do Espírito Santo nas almas.

É esta tomada de posse do mundo pela caridade que celebramos neste dia de Pentecostes. E assim nossos corações se alegram: Profusis gaudiis totus em orbe terrarum mundus exultat, como canta o Prefácio. (Por que o mundo inteiro se alegra com grande alegria?)

Elevemos nossas almas a estas alturas para celebrar com devoção, com gratidão a descida da Caridade sobre a terra.

Aconteceu em Jerusalém, no Cenáculo, onde os discípulos de Jesus estavam reunidos em torno de Sua Santa Mãe. Até a hora é mencionada, porque foi um momento solene, decisivo para a salvação das almas: a hora do terceiro de acordo com a maneira antiga de dividir o dia, o que corresponde às 9 horas da manhã.

Em Sua Liturgia, a Igreja, que vive pelo Espírito Santo, celebra diariamente esta hora de caridade eterna que se tornou seu tesouro, pelo hino que os sacerdotes recitam na Terceira. É a invocação perpétua para a perpétua descida da Caridade Divina.

Surgiu um violento vento ao redor do Cenáculo e em toda a cidade e, ao mesmo tempo, línguas de fogo apareceram sobre os apóstolos.

É a impetuosidade da caridade, que se manifesta por essa rajada de vento. Significa que aqueles que recebem o Espírito Santo, que vivem em Sua presença, que se deixam conduzir por Ele, devem se doar sem reservas. A caridade é sem medida. Se calcula, não é mais Caridade. Ele segue o seu caminho e ninguém pode pará-lo, assim como ninguém pode parar uma tempestade. A Caridade Divina lançaria os Apóstolos num redemoinho irresistível em todo o mundo, como sempre deve lançar em redemoinho todos os que amam a Deus, seja pelo apostolado da pregação, seja pelo da penitência e da oração.

Foi línguas de fogo que desceu sobre os apóstolos. "Eu vim para lançar fogo sobre a terra", disse Nosso Senhor, "e que tenho eu a desejar se ele já está aceso?" (Lucas 12, 49).

Está feito. O fogo é descendente, foi lançado, a rajada irá acender o fogo em todo o mundo. Quem pode escapar de suas faíscas divinas? Hoje também queimamos com esse fogo quando amamos a Deus; quando, para provar a Ele, resistimos ao mal; quando sentimos em nós o imenso e insaciável desejo de amá-lo mais; quando o fazíamos conhecido, torná-lo amado por aqueles que nos rodeiam, por aqueles distantes de nós e de todos os lugares. Então, é o fogo da Caridade Divina que nos abraça. 

Manter isso para si mesmo não é possível. Quem quer que guarde para si mesmo, tem apenas um pouquinho. Este fogo deseja ser comunicado, para ser espalhado. Quem possui em si mesmo sente a necessidade imperiosa de dar aos outros.

Pe. Mortier O.P. in 'La Liturgie dominicaine' (Paris, DDB, 1922, t. 5, p. 240-241)
Traduzido por: Fr. Vicente Ferrer, T.O.P. 


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sábado, 19 de maio de 2018

Vinde, ó Santo Espírito

Vinde, ó santo Espírito, vinde Amor ardente, acendei na terra vossa luz fulgente. 
Vinde, Pai dos pobres: na dor e aflições, vinde encher de gozo nossos corações. 
Benfeitor supremo em todo o momento, habitando em nós sois o nosso alento. 

Descanso na luta e na paz encanto, no calor sois brisa, conforto no pranto. 
Luz de santidade, que no Céu ardeis, abrasai as almas dos vossos fiéis.
Sem a vossa força e favor clemente, nada há no homem que seja inocente. 

Lavai nossas manchas, a aridez regai, sarai os enfermos e a todos salvai.
Abrandai durezas para os caminhantes, animai os tristes, guiai os errantes. 
Vossos sete dons concedei à alma do que em Vós confia: 
Virtude na vida, amparo na morte, no Céu alegria.

Ámen.


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Para Ronald Reagan os Pastorinhos de Fátima são mais poderosos do que o exercito americano



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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Morreu o Cardeal Castrillón Hoyos

O Cardeal colombiano Darío Castrillón Hoyos enfrentou traficantes e políticos no seu país. Foi acusado inclusive de receber dinheiro de traficantes. Hoyos nunca poupou os poderosos do governo e do crime organizado nos seus sermões, sempre muito polémicos.

Sobre Hoyos, o escritor colombiano e vencedor do Prémio Nobel da Literatura, Gabriel García Marquez, chegou a afirmar que o cardeal era um "homem que tinha a severidade de um clérigo em guerra" e "como um poeta guiado pelo dom místico da inspiração".

Hoyos chegou a encontrar-se com o chefe do cartel de drogas de Medellín, o famoso Pablo Escobar, disfarçado de vendedor de leite, para pedir que se entregasse e acabasse com os assassinatos e sequestros. Nessa conversa o bom Cardeal conseguiu persuadir o traficante a confessar os seus pecados.

O traficante chegou a enviar, por intermédio de Hoyos, uma proposta ao governo - que a recusou. Quando Escobar perguntou a Hoyos quem ele representava, o Cardeal disse que representava "aquele que um dia iria julgá-lo". Escobar foi morto pela polícia colombiana em 1993, na cidade de Medellín.

Segundo o Monsenhor Francisco Arias, o hoje Cardeal Darío Castrillón Hoyos costumava, quando era apenas padre, andar à noite pelas ruas de Pereira, distribuindo alimentos para os sem-abrigo. "Ele podia ser encontrado nos piores lugares de Pereira. Ele não tinha medo de ninguém, de nada."

O Monsenhor disse ainda que, ao tornar-se bispo, Hoyos passou a vigiar a polícia de Pereira, acusando-a de matar prostitutas, meninos de rua e mendigos, durante os seus sermões.

"Depois de denunciá-los nos seus sermões, os assassinatos pararam e o director da polícia de Pereira deixou o cargo."

Em 1982, quando era bispo de Pereira, ele manifestou-se contra o então candidato à presidência da Colômbia Álvaro Gomez por este defender o direito ao divórcio. Em 1994, ele instruiu os eleitores católicos para que não votassem no candidato presidencial Ernesto Samper, que, segundo Hoyos, apoiava a legalização de drogas e era muito próximo a não era cristão.

Samper acabou por vencer a eleição. Em 1996, o Congresso colombiano julgou e absolveu Samper da acusação de ter recebido 6 milhões de dólares dos traficantes do cartel de Cali para financiar a sua campanha eleitoral. Samper disse não ter conhecimento de ter recebido dinheiro do tráfico.

A absolvição, no entanto, não bastou para pôr fim às acusações de Hoyos. "Uma pessoa não pode obter poder com dinheiro do crime e, se o obtiver dessa forma, mesmo sem saber, não pode continuar a exercê-lo", disse Hoyos á época.

Hoyos foi ordenado padre no dia 26 de Outubro de 1952, na cidade de Santa Rosa de Osos e, no 1º de Julho de 1976 foi elevado a bispo de Pereira. Em 21 de Fevereiro de 1998 foi criado cardeal pelo Papa João Paulo II.

Formado no Seminário de Santa Rosa de Osos (Noroeste da Colômbia), a sua formação universitária começou na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (onde obteve o seu doutoramento em direito canónico).

O Cardeal Hoyos foi presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei e também Prefeito da Congregação para o Clero. O Cardeal Hoyos era um grande apoiante da Missa Tradicional, celebrando-a publicamente por diversas vezes, uma das últimas em 2016 na celebração do 10º aniversário do Instituto Bom Pastor (que ele ajudou a fundar).

O bom Cardeal Darío Castrillón Hoyos morreu esta madrugada do dia 18 de Maio, na antiga cama de Pio XII, no seu quarto em Roma. Rezemos pelo seu descanso eterno:

Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. 
Requiescat in pace. Amen.


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10 pensamentos imperdíveis do Arcebispo Fulton Sheen

1 - “Quando um homem ama uma mulher ele tem de se tornar digno dela. E quanto maior for a sua virtude, o seu nobre caráter, quanto mais ela for devota à verdade, à justiça, à bondade, mais um homem tem de aspirar a ser digno dela.”

2 - “Ouvir confissões de freiras é como ser ‘apedrejado’ até à morte por pipocas.”

3 - “Nós tornamo-nos naquilo que amamos. Se amarmos o básico, tornamo-nos no básico. Mas se amarmos o que é nobre, tornamo-nos nobres.”

4 - “Quem é que vai salvar a nossa Igreja? Não olheis para os padres. Não olheis para os Bispos. Depende de vós relembrarem os nossos padres para serem padres e aos nossos Bispos para serem Bispos.”

5 - “Os princípios morais não dependem dos votos da maioria. Errado é errado mesmo se toda a gente estiver errada. Certo é certo mesmo se ninguém estiver certo.”

6 - “Se não viveres segundo aquilo em que acreditas, acabarás a acreditar naquilo que vives.”

7 - “Nunca serás feliz se a tua felicidade depender somente daquilo que tu desejas. Muda o teu foco. Encontra um novo centro, será o que Deus quiser, e ninguém poderá tirar a tua alegria.”

8 - “Coisas partidas são preciosas. Nós comemos pão partido porque partilhamos da morte de Nosso Senhor. Flores partidas dão perfume. Incenso partido é usado em adoração. Um navio partido salvou Paulo e muitos outros passageiros na sua ida para Roma. Às vezes, a única maneira que Deus tem para entrar nalguns corações é partindo-os.”

9 - “O Terço é a melhor terapia para as almas atormentadas, infelizes, temerosas e frustradas, precisamente porque envolve o uso simultâneo de três poderes: o físico, o vocal e o espiritual, nesta ordem.”

10 - “Não julgues a Igreja Católica através daqueles que quase não vivem segundo o seu espírito, mas através do exemplo daqueles que mais próximo dele vivem.”

in Blog in HEart


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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Entretanto em Roma...

Chiesa di Santa Maria in Campitelli


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Eutanásia e Religião: É e não é

Creio que é compreensível, embora inaceitável, que expoentes da Igreja afirmem sem pejo que a questão da eutanásia não é religiosa nem confessional. Isto que afirmam, aduzindo vários argumentos racionais, terá, imagino eu, a intenção, aliás aparentemente justa, de evitar um confronto religioso entre crentes e não crentes, que poderia prejudicar a defesa e promoção da vida humana em todas as fases da sua existência.

Não obstante, creio que seria melhor ensinar que esta questão não é somente religiosa mas também racional, isto é, afirmar que de si a Lei Natural poderá ser entendida e reconhecida por todos como fundamento da recusa absoluta da “eutanásia/suicídio assistido”, uma vez que está inscrita na razão humana. 

Mas que a religião verdadeira, Revelada, não só confirma, purifica e facilita esse conhecimento como exige da parte dos crentes, católicos e cristãos em geral, um empenho determinado na repulsa dessa ignóbil monstruosidade que se traduza num dever iniludível de rejeição total de propagandear, de votar favoravelmente, ou mesmo de se abster, ou promulgar qualquer tipo de “lei” que admita a legalização ou despenalização da eutanásia/suicídio assistido. A não ser assim não nos podemos admirar que haja muitos católicos e demais cristãos - como aconteceu aquando da liberalização do aborto provocado - que cuidem que a sua atitude e comportamento diante desta abominação nada tenha a ver com a sua Fé, que podem ser excelentes cristãos demitindo-se do combate contra ou mesmo do favorecimento destas infâmias.

Esta é uma de entre muitas outras razões por que afirmo que a Igreja não pode, absolutamente, renunciar ao anúncio, em todas as circunstâncias, de Jesus Cristo, que é a Verdade, necessária à Salvação, à Liberdade e ao Bem-comum de todos, crentes e não crentes.

Uma das muitas outras coisas que a Igreja, principalmente através dos seus Pastores, tem a obrigação estrita e gravíssima de anunciar, é a de que a “eutanásia” ou o “suicídio assistido” são totalmente incompatíveis com a Fé Cristã e com a dignidade, intrínseca e incomensurável de toda e qualquer pessoa humana, independentemente do estado em que se encontra. Por isso, constitui um pecado gravíssimo cooperar com a eutanásia ou com o suicídio assistido, principalmente pela aprovação (ou concordância) da legalização destas atrozes crueldades, quer pela prática delas. 

Para que não subsistam dúvidas: quem propagandear, votar ou promulgar uma “lei” que legalize quer a eutanásia quer o suicídio assistido será responsável perante a Justiça de Deus por todas as matanças (assassínios) que forem praticadas em virtude dessa despenalização/legalização; terão também que responder diante do Tribunal Divino por todas as consequências directas e indirectas dessa cabanagem hedionda e brutal. Quem o fizer consciente e livremente não se poderá salvar a não ser que se arrependa verdadeiramente e se converta genuinamente, procurando com a máxima exigência reparar, tanto quanto lhe for possível, a tremendíssima malícia em que ocorreu e para a qual contribui-o. Isto, independentemente de ser ou não cristão, pois esta gravíssima incumbência é ‘património’ comum de todos. 

O que significa que independentemente da confissão religiosa, ou não, de cada qual, todos serão julgados severissimamente diante d'Aquele que embora infinitamente misericordioso é igualmente infinitamente Justo, não podendo pois contradizer minimamente a Sua Justiça em nome da Sua misericórdia.
À honra de Cristo. Ámen

Pe. Nuno Serras Pereira - 14. 05. 2018


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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Está baptizado, sem dúvida



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A inquietante profecia de Pio XII sobre Fátima e o Mundo

Em 1936, pouco antes de partir para uma viagem aos Estados Unidos, o Secretário de Estado do Papa Pio XI - Cardeal Eugénio Pacelli (futuro Papa Pio XII) - disse ao Conde Enrico Pietro Galleazzi:

«Suponha, meu caro amigo, que o comunismo seja apenas o mais visível dos órgãos de subversão contra a Igreja e contra a tradição da revelação divina, então nós vamos assistir à invasão de tudo o que é espiritual, a filosofia, a ciência, o direito, o ensino, as artes, a imprensa a literatura, o teatro e a religião.

Estou obcecado pelas confidências da Virgem à pequena Lúcia de Fátima. Essa obstinação de Nossa Senhora, diante do perigo que ameaça a Igreja, é um aviso divino contra o suicídio que representaria a alteração da fé, na sua liturgia, sua teologia e sua alma. (...)

Ouço em redor de mim os inovadores que querem desmantelar a Capela Sagrada, destruir a chama universal da Igreja, rejeitar os seus ornamentos, dar-lhe remorso do seu passado histórico. Pois bem, meu caro amigo, estou convicto que a Igreja de Pedro deve assumir o seu passado ou então ela cavará a sua sepultura. 

(...) um dia virá em que o mundo civilizado renegará o seu Deus, em que a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a crer que o homem se tornou Deus, que o seu Filho é apenas um símbolo, uma filosofia como tantas outras, e nas igrejas os cristãos procurarão em vão a lâmpada vermelha em que Deus os espera.»

Mons. Georges Roche e Philippe St. Germain in Pie XII devant l´Histoire (Laffont, Paris, 1972, pp. 52-53) 


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terça-feira, 15 de maio de 2018

Quando alguém nos ofende devemos "dar a outra face"?


Quando S. Tomás de Aquino chegou à universidade de Paris havia uma grande perseguição aos padres dominicanos (e também alguma aos franciscanos). Eram novas ordens religiosas, radicais na forma de viver dos seus membros e tinham muitas vocações. Eram todos grandes intelectuais e defendiam-se de qualquer argumento com outro ainda melhor.

Aqui fica uma provocação feita a S. Tomás e a respectiva resposta:

"Um membro de uma ordem religiosa, que afinal de contas escolheu seguir o caminho de perfeição, não deveria simplesmente sofrer o ataque dos inimigos sem oferecer qualquer defesa?" 

Responde S. Tomás: "Sim, enquanto isso respeitar a sua própria pessoa; o membro de uma ordem deve até estar preparado para aguentar coisas bem piores que palavras hostis. Mas, quando o ataque se eleva contra a forma de vida evangélica em si, isto é, contra os ensinamentos divinos, a resposta tem que ser não." 

in 'Quaestiones quodlibetales'


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TABOR: Um grande campo de férias

Começa este ano um grande campo de férias: TABOR. Além das actividades normais de um campo de férias terá formação católica, muito necessária nos dias que correm, e também Missa Tradicional. 

No Monte Tabor, São Pedro disse a Jesus: "Senhor, como é bom estarmos aqui, façamos três tendas..." (Mt 17, 4). Não sei se vão ser precisas tendas mas não tenho qualquer dúvida que vai ser muito bom ir ao TABOR.

Entre família e amigos todos conhecemos alguém entre os 16 e os 25 anos que esteja livre na semana de 21 a 28 de Julho, a quem possamos falar do TABOR. É muito provável que essa pessoa nos venha a agradecer.


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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Carta pastoral por ocasião do 50º aniversário da encíclica Humanae vitae

Carta escrita pelos Bispos do Cazaquistão no dia de Nossa Senhora de Fátima

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Queridos irmãos e irmãs em Cristo! O ano corrente está marcado pelo memorável evento do 50º aniversário da encíclica Humanae vitae, com a qual o Beato Paulo VI confirmou a doutrina do Magistério constante da Igreja com respeito à transmissão da vida humana. Os Bispos e os Ordinários do Cazaquistão querem aproveitar esta ocasião propícia para honrar a memória e a importância perene desta encíclica.

Durante a última reunião de todos os nossos sacerdotes e Irmãs religiosas em Almaty foram feitos amplos debates sobre o tema da preparação dos jovens para o sacramento do matrimónio. Foi feita a proposta de transmitir aos jovens as verdades mais importantes do Magistério da Igreja em relação ao matrimónio cristão e à santidade da vida humana desde o momento da sua concepção.

Proclamamos com a voz do Magistério da Igreja como a podemos perceber na encíclica Humanae vitae e em outros documentos dos Pontífices Romanos as seguintes verdades exigentes do “jugo suave e do fardo leve” (Mt 11, 30) de Cristo:

· Chamando a atenção dos homens para a observância das normas da lei natural, interpretada pela sua doutrina constante, a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida” (Paulo VI, Encíclica Humanae vitae, 11).
· É de excluir de igual modo, como o Magistério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta, quer perpétua quer temporária, tanto do homem como da mulher. É, ainda, de excluir toda a ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação. Não se podem invocar, como razões válidas, para a justificação dos atos conjugais tornados intencionalmente infecundos, o mal menor, ou o fato de que tais atos constituiriam um todo com os atos fecundos, que foram realizados ou que depois se sucederam, e que, portanto, compartilhariam da única e idêntica bondade moral dos mesmos. Na verdade, se é lícito, algumas vezes, tolerar o mal menor para evitar um mal maior, ou para promover um bem superior, nunca é lícito, nem sequer por razões gravíssimas, fazer o mal, para que daí provenha o bem; isto é, ter como objeto de um ato positivo da vontade aquilo que é intrinsecamente desordenado e, portanto, indigno da pessoa humana, mesmo se for praticado com intenção de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares, ou sociais. É um erro, por conseguinte, pensar que um ato conjugal, tornado voluntariamente infecundo, e por isso intrinsecamente desonesto, possa ser coonestado pelo conjunto de uma vida conjugal fecunda” (Paulo VI, Encíclica Humanae Vitae, 14).

· “Quando, portanto, mediante a contracepção, os esposos tiram à prática da sua sexualidade conjugal a potencial capacidade procriativa da mesma, arrogam-se um poder que pertence só a Deus: o poder de decidir em última istância a vinda à existência de uma pessoa humana. Arrogam-se o atributo de serem não os cooperadores do poder criador de Deus, mas os depositários últimos da nascente da vida humana. Nesta perspectiva, a contracepção deve ser considerada, objectivamente, tão profundamente ilícita que não pode nunca, por razão alguma, ser justificada. Pensar ou dizer o contrário, equivale a supor que na vida humana possam apresentar-se situações em que é lícito não reconhecer Deus como Deus” (João Paulo II, Discurso aos sacerdotes participantes num seminário de estudos sobre «A procreacão responsável», 17 de setembro de 1983).

· Muitos pensam que o ensino cristão, se bem que seja verdadeiro, não é viável, ao menos em determinadas circunstâncias. Como a Tradição da Igreja tem sempre ensinado, Deus não nos manda nada que seja impossível, mas cada mandamento implica a graça que ajuda a liberdade humana a cumpri-lo. A oração constante, o recurso frequente aos sacramentos e o exercício da castidade conjugal são necessários. […] Hoje mais que nunca, o homem está de novo começando a sentir a necessidade da verdade e da reta razão na sua experiência diária. Estejam sempre preparados para dizer sem equívocos, a verdade sobre o bem e o mal com respeito ao homem e à família(João Paulo II, Discurso aos participantes na reunião de estudo sobre a procriação responsável, 5 de junho de 1987).

· A carta encíclica Humanae vitae constitui um significativo gesto de coragem ao reafirmar a continuidade da doutrina e da tradição da Igreja. […]  Este ensinamento não só manifesta a sua verdade inalterada, mas revela também a clarividência com a qual o problema é tratado. […] O que era verdade ontem, permanece verdadeiro também hoje. A verdade expressa na Humanae vitae não muda; aliás, precisamente à luz das novas descobertas científicas, o seu ensinamento torna-se mais actual e estimula reflectir sobre o valor intrínseco que possui(Bento XVI, Discurso aos participantes num Congresso Internacional no 40mo aniversário da encíclica "Humanae vitae", 10 de maio de 2008).
· “A encíclica Humanae Vitae está inspirada na intocável doutrina bíblica e evangélica que convalida as normas da lei natural e os ditames insuprimíveis da consciência sobre o respeito da vida, cuja transmissão foi confiada à paternidade e à maternidade responsáveis. Aquele documento é hoje de nova e mais urgente atualidade por causa das feridas que as legislações públicas infligiram à santidade indissolúvel do vínculo matrimonial e à intocabilidade da vida humana desde o seio materno. […] Diante dos perigos que temos delineado e diante de dolorosas defecções de carácter eclesial ou social, sentimo-nos impulsados, como Pedro, a acudir a Ele como a única salvação e a gritar: "Senhor, a quem iremos? Vós tendes palavras de vida eterna" (Jo 6, 68)” (Paulo VI, Homilia, 29 de junho de 1978).

Toda a história humana deu suficientes provas do facto que o verdadeiro progresso da sociedade depende em grande medida das famílias numerosas. Isso vale ainda mais para a vida da Igreja. O Papa Francisco lembra-nos esta verdade: Dá consolação e esperança ver muitas famílias numerosas que acolhem os filhos como um autêntico dom de Deus. Eles sabem que cada filho é uma bênção” (Papa Francesco, Audiência geral, 21 de janeiro de 2015).

Que as seguintes palavras de são João Paulo II, o papa da família, sejam luz, fortaleza, consolação e alegre coragem para os casais casados católicos e para varões e mulheres jovens que se preparam para a vida do matrimónio e da família cristã.  

· Temos uma particular confirmação de que o caminho de santidade percorrido em conjunto, como casal, é possível, é belo, é extraordinariamente fecundo e fundamental para o bem da família, da Igreja e da sociedade. Isto convida-nos a invocar o Senhor, para que sejam cada vez mais numerosos os casais capazes de fazer transparecer, na santidade da sua vida, o "grande mistério" do amor conjugal, que tem origem na criação e se realiza na união de Cristo com a Igreja (cf. Ef 5, 22-33). Como qualquer caminho de santificação, também o vosso, queridos esposos, não é fácil. Sabemos quantas famílias são tentadas nestes casos pelo desencorajamento. Penso, sobretudo, em todos os que vivem o drama da separação; penso nos que devem enfrentar a doença e em quem sofre a desaparecimento prematuro do cônjuge ou de um filho. Também nestas situações se pode dar um grande testemunho de fidelidade no amor, tornado ainda mais significativo pela purificação através da passagem pelo crisol do sofrimento. Caríssimos esposos, nunca vos deixeis vencer pelo desalento: a graça do Sacramento ampara-vos e ajuda-vos a elevar continuamente os braços para o céu como Moisés, do que nos falou a primeira Leitura (cf. Êx 17, 11-12). A Igreja acompanha-vos e ajuda-vos com a sua oração, sobretudo nos momentos difíceis. Ao mesmo tempo, peço a todas as famílias que, por sua vez, amparem os braços da Igreja, para que nunca deixe de realizar a sua missão de interceder, confortar, orientar e encorajar” (João Paulo II, Homilia para a beatificação dos Servos de Deus Luigi Beltrame Quattrocchi y Maria Corsini, 21 de outubro de 2001).
· Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, seja também a Mãe da «Igreja doméstica» e, graças ao seu auxílio materno, cada família cristã possa tornar-se verdadeiramente uma «pequena Igreja», na qual se manifeste e reviva o mistério da Igreja de Cristo. Seja Ela, a Escrava do Senhor, o exemplo de acolhimento humilde e generoso da vontade de Deus; seja Ela, Mãe das Dores aos pés da Cruz, a confortar e a enxugar as lágrimas dos que sofrem pelas dificuldades das suas famílias. E Cristo Senhor, Rei do Universo, Rei das famílias, como em Caná, esteja presente em cada lar cristão a conceder-lhe luz, felicidade, serenidade, fortaleza(João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 86).

Astana, 13 de Maio de 2018, Memória da Bem-Aventurada Virgem Maria de Fátima

Vossos Bispos e Ordinários:
+ José Luis Mumbiela Sierra, Bispo da diocese da Santíssima Trindade em Almaty e Presidente da Conferência dos Bispos Católicos de Cazaquistão
+ Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana
+ Adelio Dell’Oro, Bispo de Karaganda
+ Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana
Sac. Dariusz Buras, Administrador Apostólico de Atyrau
Reverendíssimo Protopresbítero Mitrado Vasyl Hovera, Delegado da Congregação para as Igrejas Orientais para os fiéis greco-católicos de Cazaquistão e Ásia Central


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Oração a Nossa Senhora de Fátima para obter 50 dias de indulgência

Virgem Imaculada, que pelo vosso santo Rosário extinguistes outrora no seio da Igreja a nefasta heresia dos Albigenses, por ele libertastes a cristandade do perigo muçulmano e robustecestes a piedade dos fiéis; extingui também no povo português pela prática mais intensa da vossa devoção os germens de morte que fazem definhar a sua Fé, libertai-o de todos os perigos internos e externos que ameaçam a pureza de seus costumes, fortalecei-o mais e mais, fazendo rejuvenescer nele o genuíno espírito de piedade que no passado o fez um povo cristianíssimo, fidelíssimo e evangelizador.

E já que por uma inefável prova de celestial predileção vos dignastes visitar este povo que se ufana de ser vassalo vosso, mostrando-lhe dos montes da Fátima quão caro é ao vosso Coração, não deixeis nunca, Mãe amorosíssima, de o acalentar com esse mesmo amor de predileção.

Descansai sobre ele olhares de misericórdia, fazei-lhe sentir mais e mais vossa suavíssima proteção e os doces atrativos do vosso Coração que é coração de mãe.

Abençoai, ó Virgem Imaculada, a terra que vos dignastes visitar, atraí a vós todos os portugueses, atenteai-lhes os tesoiros do vosso amor, revelai-lhes os arcanos de vosso Coração materno, fazei de cada coração português um órgão que vibre de amor por vós e de Portugal inteiro um Santuário de amor que corresponda com seu filial afeto ao vosso carinho maternal e assim mereça agora e sempre ser chamado – a Terra de Santa Maria. – Assim seja.

Pode imprimir-se e concedemos 50 dias de indulgência aos fiéis, por cada vez que recitarem esta oração com um Padre Nosso e uma Avé Maria pelas necessidades da Santa Igreja.

Leiria, 20 de Janeiro de 1927
† JOSÉ, BISPO DE LEIRIA


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domingo, 13 de maio de 2018

Virtudes de Mãe





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Festa da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo

"Dominus Iesus, postquam locutus est eis, assumptus est in Coelum, et sedet a dextris Dei"
"O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus"
Mc 16, 19

I. O lugar que competia a Jesus ressuscitado, era o Céu, que é a morada das almas e dos corpos bem-aventurados. Quis Jesus, todavia, permanecer quarenta dias sobre a terra e aparecer repetidas vezes a seus discípulos para os certificar da sua ressurreição e instruí-los nas coisas relativas à sua Igreja: Loquens de regno Dei (1) – “Falando do reino de Deus”. 

Tendo desempenhado esta nobre missão, quis o Senhor, antes de deixar a terra, mostrar-se mais uma vez aos apóstolos em Jerusalém; e depois de lhes exprobrar suavemente a sua dureza, por não acreditarem na sua ressurreição, ordenou-lhes que fossem para o Monte das Oliveiras, o lugar onde tinha começado a sua Paixão, afim de que compreendessem que o verdadeiro caminho para ir ao Céu é o dos sofrimentos. Depois, cercado de cento e vinte pessoas, repetiu-lhes mais uma vez o que já lhes havia ordenado, especialmente que fossem pregar o Evangelho pelo mundo inteiro; feito o que o divino Redentor levantou as mãos e os abençoou.

Em seguida, como medita São Boaventura (2), Jesus abraça a sua santíssima Mãe e aperta-a contra o coração, anima e conforta os seus discípulos, que, entre lágrimas, Lhe beijam os pés e com as mãos levantadas e o semblante extraordinariamente majestoso e amável, coroado e vestido como rei, se eleva lentamente ao Céu, levando em sua companhia as numerosíssimas almas justas, livradas do limbo. – A esta vista todos os presentes ajoelham novamente e Jesus mais uma vez os abençoa. Afinal uma nuvem subtrai o divino Triunfador à sua vista, e Jesus vai sentar-se à direita do Pai, onde não cessa de ser nosso medianeiro e advogado.

Avivemos a nossa fé, e contemplemos o júbilo que a entrada triunfal de Jesus causou no paraíso: alegremo-nos com o nosso divino Chefe e unamos os nossos afectos aos de Maria Santíssima e dos santos discípulos.

II. Como a águia ensina os seus filhos a voarem, assim, no mistério de hoje, Jesus Cristo nos exorta a elevar o nosso vôo e acompanhá-Lo ao Céu, senão com o corpo, ao menos com os afectos. Desprendamos os nossos corações da terra, e suspiremos pela pátria celeste, onde se acha a nossa felicidade: esperando, como diz o Apóstolo, a adopção de filhos de Deus, a redenção de nosso corpo (3). 

Entretanto, tenhamos sempre diante dos olhos os exemplos da vida mortal do Senhor; imitando a sua humildade e mansidão, o seu espírito de mortificação, a sua caridade e o seu zelo pela glória divina. – Numa palavra, despojamo-nos do homem velho, revestindo-nos das virtudes de Jesus Cristo, que são como que o manto, que, à imitação de Elias, ele deixou para seus discípulos, quando subiu ao Céu.

Para vencermos todas as dificuldades que se encontram no caminho do Senhor, recordemos muitas vezes a grande verdade que os anjos ensinaram hoje aos discípulos, que, arrebatados, olhavam o Céu, para o qual acabava de subir o seu amado mestre: Jesus Cristo voltará um dia à terra com a mesma majestade e glória, como Juiz dos vivos e dos mortos: Sic veniet, quemadmodum vidistis eum euntem in coelum (4).

Meu querido Redentor Jesus, regozijo-me pelo vosso triunfo glorioso e rogo-vos que arranqueis de meu coração todo o afecto aos bens miseráveis desta terra, para não suspirar senão pelos do paraíso, que vós merecestes para mim pela vossa paixão. – A mesma graça peço de Vós, ó Pai Eterno. “Concedei-me que, assim como creio firmemente que vosso Filho unigénito e nosso Redentor subiu hoje ao Céu, assim possa continuamente morar ali com o meu espírito e os meus desejos.” (5) – Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima. (*VIII 643.)

Santo Afonso Maria de Ligório in 'Meditações para todos os dias do ano'
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(1) Act. 1, 3.
(2) Med. vit. Chr.
(3) Rom. 8, 23.
(4) Act. 1, 11.
(5) Or. festi. curr.


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