terça-feira, 17 de outubro de 2017

A Irmã Lúcia avisou: "Se Portugal aprovar o aborto terá muito que sofrer"

"Se Portugal não aprovar o aborto, está salvo; mas se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação paga todo o povo. Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu." 

in 'Um caminho sob o olhar de Maria - Biografia da Irmã Lúcia' - Carmelo de Coimbra (Edições Carmelo, p. 68, 2013, pp. 494)





blogger

"Deixai-me ser alimento das feras, por elas pode-se alcançar a Deus"

Santo Inácio de Antioquia, um dos maiores bispos de toda a História da Igreja, foi condenado à morte em Antioquia. Foi levado para Roma, para morrer lá, na arena, comido pelas feras. A caminho, já preso, escreveu uma carta aos Cristãos de Roma, falando no seu martírio que se aproximava:

Tenho escrito a todas as Igrejas e a todas elas faço saber que morro por Deus com alegria, desde que vós não me impeçais. Suplico-vos: não demonstreis por mim uma benevolência inoportuna. Deixai-me ser alimento das feras; por elas pode-se alcançar a Deus. Sou trigo de Deus, serei triturado pelos dentes das feras para tornar-me o puro pão de Cristo. Rogai a Cristo por mim, para que por este meio me torne sacrifício para Deus. 

Nem as delícias do mundo nem os reinos terrestres são vantagens para mim. Mais me aproveita morrer em Cristo Jesus do que imperar até os confins da terra. Procuro-o, a ele que morreu por nós; quero-o, a ele que por nossa causa ressuscitou. Meu nascimento está iminente. Perdoai-me, irmãos! Não me impeçais de viver, não desejeis que eu morra, eu, que tanto desejo ser de Deus. Não me entregueis ao mundo nem me fascineis com o que é material. Deixai-me contemplar a luz pura; quando lá chegar, serei homem. Concedei-me ser imitador da paixão de meu Deus. Se alguém o possui no coração, entenderá o que quero e terá compaixão de mim, sabendo quais os meus impedimentos. 

O príncipe deste mundo deseja arrebatar-me e corromper meu amor para com Deus. Nenhum de vós, aí presentes, o ajude! Ponde-vos de meu lado, ou melhor, do lado de Deus. Não podeis dizer o nome de Jesus Cristo, enquanto cobiçais o mundo. Que a inveja não more em vós! Mesmo que eu em pessoa vos rogue, não me acrediteis; crede antes no que vos escrevo, desejando morrer. (...) Não quero mais viver segundo os homens. Isto acontecerá se vós quiserdes.

in Carta de Santo Inácio de Antioquia aos Romanos (107 d.C.)


blogger

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

As 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus

Em 1675, durante a oitava da Festa de Corpus Christi, Jesus faz a Margarida Maria Alacoque, a chamada 'Grande Revelação':

“Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelas suas irreverências, sacrilégios, e pela tibieza e desprezo que têm para comigo na Eucaristia.

Entretanto, o que Me é mais sensível é que há corações consagrados que agem assim. Por isto te peço que a primeira sexta-feira após a oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar Meu Coração, comungando neste dia, e O reparando pelos insultos que recebeu durante o tempo em que foi exposto sobre os altares. Prometo-te que Meu Coração se dilatará para derramar os influxos de Seu amor divino sobre aqueles que Lhe prestarem esta honra”.

Nas suas aparições fez também as doze promessas do Sagrado Coração de Jesus:

1ª - A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração.
2ª - Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.
3ª - Estabelecerei e conservarei a paz nas suas famílias.
4ª - Consolá-los-ei em todas as suas aflições.
5ª - Serei o seu refúgio seguro na vida, e principalmente na hora da morte.
6ª - Lançarei bênçãos abundantes sobre todos os seus trabalhos e empreendimentos.
7ª - Os pecadores encontrarão no meu Coração uma fonte inesgotável de misericórdias.
8ª - As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção.
9ª - As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.
10ª - Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente esta devoção o poder de tocar os corações mais empedernidos.
11ª - As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes inscritos para sempre no meu Coração.
12ª - A todos os que comungarem nas primeiras Sextas-Feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna.


blogger

domingo, 15 de outubro de 2017

Imagens históricas dos 100 anos de Fátima

Missa celebrada pelo Patriarca de Lisboa, o Cardeal Cerejeira, em 1950:
Fotografia de A. Silva

13 de Março de 1951:
Transladação dos restos mortais de Francisco Marto para a Basílica de N. Sra. do Rosário:


Manuel e Olímpia Marto no cortejo fúnebre:

1 de Maio de 1951
Transladação do corpo de Jacinta Marto para a Basílica de N.Sra do Rosário:

Exumação do corpo (com D. José Alves Correia da Silva ao centro e os pais dos pastorinhos à direita)

Capelinha das Aparições num dia comum em 1951:

Bispo Pavlos Meletiev, (rito bizantino russo) 13 de Outubro de 1951:

13 de Maio de 1953:


Missa com o núncio Apostólico Fernando Cento em 1954:

Um sacerdote distribui a comunhão no exterior da Igreja de N. Sra do Rosário, 1955:

Bênção dos doentes na colunata (Cardeal Ottaviani) 1955:

Numerosos bispos em procissão no Santuário de Fátima (de fundo: o antigo hospital) 1955:
Fotografia de Alípio de S. Vicente

Bênção dos doentes (Cardeal Gouveia), cerca de 1955



 Missa a 13 de Maio de 1956 (Cardeal Roncalli, futuro Papa João XXIII)

1958

Bênção com o Santíssimo Sacramento (Bispo do Congo, Bélgica) 1959

sem data

Doentes à espera da bênção 1960:

Duas servitas e um peregrino 1960:

Comunhão na Basílica do Rosário, 1960:

Capelinha em dias comuns em 1960:

Um 13 de Outubro, sem ano:


blogger

Deus contra as falsas religiões

Ouvi, ó casa de Israel, a palavra que o SENHOR vos dirige. Assim fala o SENHOR: «Não imiteis o procedimento dos pagãos, nem temais os sinais celestes, como temem os pagãos. De facto, a religião desses povos não é nada. 

É apenas madeira cortada na floresta, obra trabalhada pelo cinzel do artista, adornada com prata e com ouro; fixam-nos com pregos e a golpes de martelo para que não se movam. Estes deuses assemelham-se a espantalhos num campo de pepinos. Devem ser conduzidos, pois não caminham. Não os temais, pois não podem fazer mal, nem podem fazer bem.» 

Ninguém há semelhante a ti, SENHOR! Tu és grande! Grande é o teu nome e o teu poder. Quem não te temerá, rei dos povos? A ti é devido todo o respeito, porque entre os sábios dos povos pagãos e nos seus reinos, ninguém se assemelha a ti.

Jeremias 10, 1-7


blogger

sábado, 14 de outubro de 2017

"Nunca deixem de rezar o Rosário" - Mensagem do Papa Francisco nos 100 anos de Fátima



blogger

Bispo escreve poema sobre a Batina

Minha pobre batina, mal cerzida,
tu vales mais que todos os amores,
pois, negra embora, enches-me de flores 
e de esperanças imortais a vida.

Com seus sorrisos escarnecedores,
zomba o mundo de ti, de ti duvida,
porque não sabe a força que na lida,
tu me dás, do teu beijo aos resplendores.

Tu serenas do orgulho as brutas vagas,
e a mostrar-me do mundo a triste sina,
toda a volúpia das paixões apagas.

Oh! Como o bravo envolto na bandeira,
contigo hei de morrer, minha batina,
ó minha heróica e santa companheira!

D. Francisco de Aquino Corrêa, Arcebispo de Cuiabá


blogger

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Carta do Professor Gonçalo Almeida Garrett sobre os mistérios do 13 de Outubro de 1917 em Fátima

[3-12-1917] Dia de S. Francisco Xavier

Ex.mo Snr.

Releve-me V. Ex.ª a demora em responder à pergunta por V. Ex.ª feita em carta dirigida a minha mulher, acerca dos extraordinários acontecimentos de Fátima, na parte relativa ao sol, nas horas do meio dia.

Foram os seguintes: 1º Os fenómenos duraram uns 8 a 10 minutos; 2º O sol perdeu o seu brilho ofuscante, tomando o aspecto da lua podendo ser encarado facilmente, 3º O sol por três vezes, durante esse periodo de tempo, manifestou um movimento rotatório na periferia, faiscando chispas de luz nos seus bórdos, à semelhança do que se dá com as rodas de artificio, de fogo muito conhecidas, 4º Esse movimento rotatório dos bórdos do sol, 3 vezes manifestado e 3 interrompido, era rápido e durou 8 ou 10 minutos, pouco mais ou menos; 5º A seguir, o sol tomou a côr violácea e depois alaranjada espalhando essas côres por sobre a terra, readquirindo por fim o seu brilho e fulgor, impossível de ser encarado com a vista. 6º Foi pouco depois do Meio-Dia e perto do zénite, (o que é importantíssimo) que estes factos se deram.

Peço a V. Exª o favor de me dizer se confirma esta narrativa.

Relatam o Sr. Bispo de Portalegre e a Sr.ª D. Maria de Jesus Raposo que estando com outras pessoas em Torres Novas, no dia 20 de Outubro findo pelas [NOTA: não é possível compreender o que está escrito no original] horas do dia viram o movimento de rotação do sol e mudança de côres.

Diz a mesma Senhora que essas manifestações do sol foram muito diferentes das de Fátima e não tiveram a importância de 13 de Outubro findo.

É urgente saber quais as diferenças, pois ela assistiu a ambas. Desejo esclarecimentos sobre as diferenças.

O sol é incomparavelmente maior do que a terra, sendo que tem um movimento próprio de rotação demorado, e não é feito em poucos momentos ou minutos por 3 vezes.

Respondendo a V. Ex.ª, direi, que não considero os fenómenos vistos e observados no sol, como astronómicos do sol propriamente dito, mas sim meteorológicos da atmosfera da terra sobre a imagem solar, e quanto à côr e aspecto do brilho semelhante à lua, e tambem quanto à vista da rotação.

É muitíssimo para reter a hora do Meio-Dia, perto do zénite, na qual os fenómenos meteorológicos têm menos intensidade sobre o sol.

Nos fins de tarde, estando o sol perto do horizonte, em que são grandes as evaporações, as quais são atravessadas pelos raios solares. E assim há muitos cambiantes formosos ao pôr-do-sol em diversas côres e oscilações nas atmosfera, principalmente no tempo de verão. Devem ser mais difíceis de produzir os fenómenos observados em Fátima ao Meio-Dia do que, pela manhã e à tarde, o que dá muito maior valor e importância àquele.

Até agora ninguém via as rotações faiscantes do sol e agora todos as vêem muitos dias e vezes. Muito será imaginação.

Desejo fazer algumas perguntas a algum observatório meteorológico do país e talvez ao observatório astronómico de Coimbra. Há um assunto de que V. Ex.ª não fala que se afigura a mim mais importante e singular talvez do que o relativo ao sol.

Diz que no local das aparições todas, e no momento em que elas bem se manifestavam, elevava-se sempre uma nuvem ao céu partindo da terra.

E mais se diz que a nuvem foi mais intensa no dia em que as crianças estavam presas. É um fenómeno repetido 6 vezes. É verdade? Há testemunhas de todas elas?

Na última aparição viu toda a minha familia a nuvem, e como estava a alguma distancia julgaram que havia lume e incenso no local. Por uma pessoa minha parenta e por outras que estavam perto das crianças verificou-se não haver lume algum.

Este fenómeno repetido 6 vezes, a horas certas, é para mim dos mais importantes, e porque se produziu junto a tantas e tantas pessoas. Admiro a pouca importância que se liga a este ponto das aparições, que não consta que se desse em Lourdes.

Não tem explicação alguma, com as suas repetições, senão sobrenatural. Convinha obter testemunhas para as manifestações todas do aparecimento da nuvem de fumo. Considero miraculoso. Considero miraculosas tambem manifestações extraordinárias do sol no dia 13 ao Meio-Dia. Mas convém arranjar testemunhas oculares que mostrem ou digam as diferenças grandes das manifestações de 13 e as tais que todos agora querem ver e não viam até agora.

Admiro que V. Ex.ª não fale das declarações da rapariga sobre a paz e o regresso das tropas portuguesas em breve a Portugal. Como concilia V. Ex.ª estas declarações? Desejava que V. Ex.ª me dissesse alguma coisa sobre este ponto. É verdade que este assunto é material e profano mas envolve uma profecia, que era muito importante na actualidade. Haverá equivoco da rapariga? Em verdade ainda se pode realizar tudo isto. Será início os factos ocorridos na Rússia e o armistício?

É indispensável separar a rapariga de tantas e tantas perguntas. Repito que é urgente evitar as múltiplas perguntas.

Meu filho José Maria não se nega a fazer uma narração do que presenciou em Fátima, segundo ele me disse. Mas faria mais força se V. Ex.ª lhe escrevesse uma carta directamente, fazendo o pedido, não dizendo V. Ex.ª que foi indicação minha.

Desculpe V. Ex.ª esta carta com as minhas observações e declarações francas e leais, como é mister.

Para mim pedia o favor d’uma A. M. por minha intenção, pois muito careço.

Com toda a consideração
De. V. Eª,

Att.to ob.do ag.do
Gonçalo de Almeida Garrett

Carta do Prof. Gonçalo Almeida Garrett (Prof. de Matemáticas, Univ. Coimbra), enviada ao Cónego Manuel Nunes Formigão - Reproduzida na íntegra na Documentação Crítica de Fátima, Vol. III – 1, pp. 771-774 (Doc. 334)


blogger

13 de Outubro de 1917: Milagre do Sol em Fátima



blogger

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Testemunho de uma jovem que assistiu ao Milagre do Sol em Fátima

Juncal 14 de Outubro. Ontem estivemos em Fátima. Vi o sol como uma bola esverdeada,andar à roda com rapidez sobre si num movimento de rotação e mudando de cor.Fiquei muito impressionada.O que haverá de sobrenatural e de verdade em tudo isto? Existem tantas opiniões diversas! Esperemos para ver o que Deus deseja.
Tive muita pena de não ter falado com as crianças.Estava uma manhã muito chuvosa,tendo a chuva deixado de cair aproximadamente meia hora antes da hora marcada para a aparição.

(Excerto do diário de Teresa Maria de Melo Falcão Trigoso de Siqueira, em 14 de Outubro de 1917, dois dias antes de completar 19 anos)


blogger

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Bento XVI: A causa da crise na Igreja é Deus ter perdido a prioridade na Liturgia

Apresentamos o prefácio escrito pelo Papa Bento XVI para a edição russa do volume XI da sua Opera Omnia, publicado recentemente pela Editora do Patriarcado de Moscovo. 

A nada se dê prioridade senão ao Culto Divino. Com estas palavras São Bento estabelece na regra de vida que criou a absoluta prioridade do Culto Divino em relação a todas as restantes actividades da vida monástica (ponto 43,3). Este facto não era óbvio nem mesmo para a vida monástica, pois para os monges era essencial o trabalho científico e agrícola, áreas em que podia, certamente, surgir urgências que podiam fazê-las parecer mais importantes que a liturgia. Perante tudo isto, São Bento coloca a prioridade na liturgia, realçando inequivocamente a prioridade do próprio Deus na nossa vida: “Na hora do Ofício Divino, mal se oiça o sinal, deixa-se tudo o que se tiver em mãos e corresponda-se ao chamamento com a máxima solicitude” (43,1). 

Na consciência dos homens de hoje as coisas de Deus e em particular a liturgia não surgem como um assunto urgente. Há urgência para todo o tipo de coisas, mas a causa de Deus não parece que o seja alguma vez. Pode-se dizer, com justiça, que a vida monástica é diferente da vida dos homens que estão no mundo – mas ainda assim a prioridade de Deus, que esquecemos, vale em ambos os casos. Se Deus já não é importante, então alteramos os critérios para estabelecer o que é importante. Quando o homem coloca Deus numa das suas gavetas, está a colocar-se sob condicionalismos que o fazem escravos de coisas materiais e que são, portanto, opostas à sua dignidade. 

Nos anos que sucederam o Concílio Vaticano II voltei a tomar consciência da prioridade de Deus e da Liturgia Divina. O mal-entendido que se difundiu abundantemente na Igreja Católica, relativamente à reforma litúrgica, levou a que se pusesse sempre em primeiro plano o aspecto da instrução, da criatividade e actividade pessoal. A actividade dos homens fez que quase ficasse esquecida a presença de Deus. Nesta situação (em que nos encontramos) fica cada vez mais claro que a existência da Igreja vive da justa celebração da liturgia e que, portanto, a Igreja está em perigo quando o primado de Deus não surge na liturgia e, daí, na vida.

A causa mais profunda da crise que se abateu sobre a Igreja está no ocultar a prioridade de Deus na liturgia. Tudo isto levou a dedicar-me ao tema da liturgia com mais afinco que no passado porque sabia que o verdadeiro renovamento da liturgia é uma condição fundamental para o renovamento da Igreja. Foi desta convicção que nasceram os estudos que estão agrupados agora no presente volume XI da Opera Omnia. No fundo, ainda que com todas as diferenças existentes, a essência da liturgia no Oriente e no Ocidente é única e a mesma. Assim espero que este livro possa ajudar também os cristãos da Rússia a compreender melhor e de uma nova forma o grande dom que nos é dado na Santa Liturgia.

(Tradução: Senza Pagare)


blogger

Polónia: Rosário pelo centenário de Fátima e contra a islamização da Europa



blogger

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Há dois caminhos: um de vida e outro de morte

Há dois caminhos, um de vida e outro de morte, mas há uma grande diferença entre os dois. Ora o caminho da vida é o seguinte: primeiro que tudo, amarás a Deus que te criou; em segundo lugar, amarás o teu próximo como a ti mesmo, e aquilo que não queres que ele te faça não o faças tu a outrem. Eis o ensinamento contido nestas palavras: Bendizei aqueles que vos maldizem, rezai pelos vossos inimigos, jejuai pelos que vos perseguem. Com efeito, que mérito tendes em amar os que vos amam? Não o fazem também os pagãos? Quanto a vós, amai os que vos odeiam e não tereis inimigos. Abstende-vos dos desejos carnais e corporais. 

Segundo mandamento da doutrina: não matarás, não cometerás adultério, não seduzirás rapazes, não cometerás fornicação, nem roubo, nem magia, nem envenenamento; não matarás nenhuma criança, por aborto ou depois do nascimento; não desejarás os bens do teu próximo. Não cometerás perjúrio, não levantarás falsos testemunhos, não terás intenções de maledicência e não guardarás rancor. 

Não terás duas maneiras de pensar nem duas palavras: porque a duplicidade de linguagem é uma armadilha de morte. A tua palavra não será mentirosa nem vã, mas plena de sentido. Não serás avarento, nem ganancioso, nem hipócrita, nem maldoso, nem orgulhoso; não terás má vontade com o teu próximo. Não deves odiar ninguém: deves corrigir uns e rezar por eles e amar os outros mais do que a própria vida.

Meu filho, foge de tudo o que é mal e de tudo o que te parece mal. Vigia para que ninguém te desvie da doutrina, porque esse estará a guiar-te para longe de Deus. Se puderes suportar todo o jugo do Senhor, serás perfeito; se não, faz ao menos o que te for possível.

in Didaké (c. 60-120) - catequese dos primeiros cristãos -  §§ 1-6


blogger

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Que quis dizer o Cardeal Burke quando afirmou que a FSSPX está em cisma?

Durante uma sessão de perguntas e respostas no fim de uma conferência sobre Liturgia, que aconteceu em Medford (Estado Unidos), o Cardeal Raymond Leo Burke disse que a Fraternidade de São Pio X (FSSPX) se encontra em cisma. Apesar de ter sido em Julho, esta gravação foi recentemente revelada e rapidamente se tornou "viral". Estas declarações do Cardeal Burke apanharam muitos de surpresa, até porque a própria Santa Sé não diz que a FSSPX é cismática. 

Cardeal Castríllon

Em Agosto de 2005, apenas 4 meses depois de ser eleito, o Papa Bento recebeu o Superior Geral da FSSPX, Mons. Bernard Fellay, em Castel Gandolfo. À direita do Papa estava o Cardeal Darío Castrillón Hoyos, presidente da Pontifícia Commissão “Ecclesia Dei”. Este mesmo Cardeal foi entrevistado 1 mês depois pela revista '30 Giorni', ligada ao movimento Comunhão e Libertação (CL) e disse que a sagração episcopal realizadas pelo Arcebispo Marcel Lefebvre em Écône no ano de 1998 "não se tratou de um cisma formal".

Quando o entrevistador aludiu para a necessidade que a FSSPX reconhecesse a legitimidade do actual Pontífice, responde o Cardeal Castrillón: "A Fraternidade reconheceu sempre João Paulo II, e agora Bento XVI, como o legítimo sucessor de São Pedro."

Bem mais recentemente, em Março de 2017, o Cardeal Castrillón deu uma entrevista à 'Rome Reports' (ligada ao Opus Dei) na qual afirmou:   

"A FSSPX, tecnicamente, nunca caiu em cisma absoluto ou heresia. Por exemplo, eles nunca criaram uma jurisdição separada, porque criar uma jurisdição fora da jurisdição da Igreja significa querer a separação."

D. Athanasius Schneider

Durante uma entrevista ao 'Adelante la Fe', em Agosto de 2015, D. Athanasius Schneider revelou que foi enviado pela Santa Sé como visitador aos seminários da FSSPX para verificar como decorria a formação dos seminaristas. O Bispo auxiliar de Astana é bastante claro ao descrever o que viu:

"Guardo muito boa impressão de minhas visitas. O espírito do 'sentire cum ecclesia' da FSSPX ficou claro quando me receberam como enviado da Santa Sé com verdadeiro respeito e muita cordialidade. Ainda, em ambos os seminários me alegrou ver na entrada a fotografia do Papa Francisco, o Pontífice actualmente reinante. Nas sacristias havia placas com o nome de S.S. Francisco e do ordinário da diocese. Comoveu-me o cântico da oração tradicional pelo Papa (Oremus pro pontifice nostro Francisco) durante a solene exposição do Santíssimo Sacramento. Que eu saiba, não há razões de peso para negar aos sacerdotes e fiéis da FSSPX um reconhecimento canónico oficial, antes, deve-se aceitá-los como são por ora."

Papa Francisco

Em Maio de 2016, o Papa Francisco deu uma entrevista ao 'La Croix'. Quando lhe perguntaram sobre o encontro com Mons. Fellay e o possível acordo com a FSSPX respondeu:

"Conheci-os em Buenos Aires e falava com eles frequentemente. Cumprimentavam-me, ajoelhavam-se e pediam que os abençoasse. Dizem que são católicos. Eles amam a Igreja. (...) Acredito, como disse na Argentina, que são Católicos a caminho da comunhão plena."

Cisma

A palavra 'cisma', quando aplicada no ambiente eclesial tem normalmente o valor de separação completa, ou seja de cisma formal. Este é o caso, por exemplo, dos Ortodoxos, que há cerca de 1000 anos se separaram da Igreja Católica. Os Ortodoxos são cismáticos porque recusam da autoridade do Papa, que dizem ser um Bispo igual ao outros em termos de jurisdição, atribuindo-lhe, no máximo, o título de primus inter pares (primeiro entre iguais). Mas o Papa não é igual aos outros Bispos, é o único que na Igreja possui o poder ordinário, supremo, pleno, imediato e universal. Os Ortodoxos criaram também hierarquias próprias nas dioceses, à margem da hierarquia católica.

A FSSPX não fez nada disto. Sempre reconheceu a autoridade do Papa, como a Igreja defendeu desde o seu início. E além disso, como apontou o Cardeal Castrillón, jamais atribuiu aos 4 Bispos sagrados em Écône uma jurisdição territorial, reconhecendo sempre a jurisdição dos Bispos locais.

O Papa Francisco concedeu a jurisdição universal a todos os sacerdotes da FSSPX para poderem confessar fiéis onde quer que se encontrem. Podem cismáticos ter jurisdição na Igreja? 

Levando tudo isto em conta, parece que o Cardeal Burke terá usado a palavra 'cisma' não em termos de cisma formal mas de cisma material, que implica a falta de intenção em separar-se. A palavra 'cisma' pode ter também um sentido mais coloquial. Diz-se, frequentemente, que alguém que insiste muito num determinado assunto está a "cismar" com aquilo. Não quer dizer com isto que se afastou totalmente das nossas relações ou da comunhão para connosco. A situação jurídica da FSSPX é de facto anómala, ninguém nega essa evidência. Mas disto não decorre que a Fraternidade esteja fora da Igreja ou fora da comunhão com a Igreja.

João Silveira


blogger

Cardeal Newman fala sobre o aparente triunfo dos inimigos da Igreja

Outrora, era uma fonte de perplexidade para quem crê, como lemos nos salmos e nos profetas, ver que os maus tinham êxito onde os servos de Deus pareciam fracassar. E o mesmo se passa ao tempo do Evangelho. E no entanto a Igreja possui este privilégio especial, que mais nenhuma outra religião tem, de saber que, tendo sido fundada aquando da primeira vinda de Cristo, não desaparecerá antes do Seu regresso.

Contudo, em cada geração, parece que sucumbe e que os seus inimigos triunfam. O combate entre a Igreja e o mundo tem isto de particular: parece sempre que o mundo a vence, mas é Ela que de facto ganha. Os seus inimigos triunfam constantemente, dizendo-a vencida; os seus membros perdem frequentemente a esperança. Mas a Igreja permanece. […] Os reinos fundam-se e desmoronam; as nações espraiam-se e desaparecem; as dinastias começam e terminam; os príncipes nascem e morrem; as coligações, os partidos, as ligas, os ofícios, as corporações, as instituições, as filosofias, as seitas e as heresias fazem-se e desfazem-se. Elas têm o seu tempo, mas a Igreja é eterna. E contudo, no seu tempo, elas parecerem ter uma grande importância. […]

Neste momento, muitas coisas põem a nossa fé à prova. Não vemos o futuro; não vemos que o que parece agora ter êxito não durará muito tempo. Hoje, vemos filosofias, seitas e clãs alastrarem, florescentes. A Igreja parece pobre e impotente. […] Peçamos a Deus que nos instrua: temos necessidade de ser ensinados por Ele, estamos cegos. Quando as palavras de Cristo puseram os apóstolos à prova, eles pediram-Lhe: «Aumenta a nossa fé» (Lc 17,5). 

Procuremo-Lo com sinceridade: nós não nos conhecemos; temos necessidade da Sua graça. Qualquer que seja a perplexidade a que o mundo nos induza […], procuremo-Lo com um espírito puro e sincero. Peçamos humildemente que nos mostre o que não compreendemos, que suavize o nosso coração quando ele se obstina, que nos dê a graça de O amarmos e de Lhe obedecermos fielmente na nossa procura.

Beato John Henry Newman in 'Sermões sobre os temas do dia', nº 6, «Fé e Experiência», 2.4


blogger

A Missa Tradicional em imagens



blogger

domingo, 8 de outubro de 2017

A Caminho - Todos temos uma história

Que estamos no Centenário de Fátima já todos percebemos. Que existam inúmeras iniciativas para assinalar estes 100 anos que nos separam das Aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos também é compreensível. Que entre essas iniciativas esteja um musical faz todo o sentido. Esse musical chama-se: "A Caminho - Todos temos uma história".

À primeira vista o nome não deixa a ideia que seja sobre Fátima. E com razão, visto que o que se deseja relatar não são as Aparições propriamente ditas, mas as suas consequências. Há 100 anos a Cova de Iria era um local "perdido no meio do nada". No entanto o que ali se passou, contra todas as probabilidades, mudou completamente aquele lugar e também o mundo. 

O musical "A Caminho" versa exactamente sobre o modo como mudou o mundo. Não através duma análise geopolítica da queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética mas a transformação de vidas de pessoas. Pessoas que viviam longe da Mensagem de Fátima, não só moralmente mas também fisicamente. 

Durante o musical somos conduzidos por um guia, também ele inadvertidamente à procura, através de vários continentes, países e ambientes onde chegou a Mensagem de Fátima, ao longo destes 100 anos. Os testemunhos (reais!) das pessoas que mudaram a vida são impressionantes e põem em causa até a maior incredulidade dos mais cépticos. Milagres, uns atrás dos outros. Curas físicas, curas morais. Famílias separadas que se voltaram a unir. Gente que vivia em continentes longínquos como África, Ásia ou América encontraram a verdadeira felicidade através da "Senhora mais brilhante do que o sol".

À semelhança dessas pessoas, conhecemos muita gente à procura. À procura de uma razão ou de coragem para mudar de vida ou não fugir cobardemente às suas responsabilidade, como era o caso do protagonista principal do "A Caminho", também ele baseado numa história real, em mais uma vida que Nossa Senhora de Fátima tocou e salvou.  


blogger

Mais de 1 milhão de pessoas rezaram o Rosário nas fronteiras da Polónia

O povo da Polónia juntou-se no dia 7 de Outubro, dia de Nossa Senhora do Rosário, para uma demonstração impressionante de Fé. Ao longo da fronteira do País (cerca de 3500 quilómetros) encontraram-se mais de 1 milhão de pessoas que juntas rezaram o Rosário. Esta iniciativa, 'Rosário nas fronteiras', teve como fim pedir à Santíssima Virgem que "abra os corações dos nossos compatriotas à graça de Deus". A organização relembrou ainda o aniversário da Batalha de Lepanto, na qual a Liga Santa derrotou o Império Otomano, impedindo a invasão muçulmana da Europa.



































blogger